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domingo, 11 de março de 2007

Laboratório de Análises Cínicas


Tem coisas que não dá pra deixar passar. Desculpem o senso crítico aguçado.


Na Música Popular Brasileira, muita gente é endeusada quando, na verdade, deveria ser exilada para qualquer lugar onde o analfabetismo imperasse. Só um ignorante para não questionar essas obras-primas musicais, vendidas a nós como grandes poesias. Tudo questionável.


Vejamos:


O que Caetano Veloso achou que estava fazendo quando criou estes versos:

"Eta, eta, etá...é a lua, é o sol, é a luz de Tieta, eta, etá". - Desculpe, senhor compositor, mas rimar Tieta com eta é de uma pobreza poética singular. Nem há imagem inteligível nos versos "Luz do sol, que a folha traga e traduz..."


E o intocável Djavan ? - Que grande mensagem subliminar está escondida em suas músicas ?Alguém me ajude porque, até hoje, eu não decifrei:

"A luz de um grande prazer é irremediável neon". O que seria um neon irremediável ?


Quando partimos para os lados da Bahia a coisa se dana de vez. O Axé é um ritmo para carnaval, então, eu perdoo as rimas pobres e a métrica tétrica. Só não dá para perdoar o É O Tchan, grupo responsável por pérolas como "Menina que requebra, mãe, pega na cabeça". Pega ? - Mas, como eu já disse, está perdoado. O imperdoável é Maimbê Dandá, da Daniela Mercury, repetido à exaustão e complementado com o infame "zum zum zum ZumZum-Baba". Quem seria ZumZum-Baba ? - Algum pai-de-santo ? - Um guru indiano ?


Talvez seja a dificuldade em raciocinar que leva milhares atrás do trio-elétrico do Chiclete com Banana para ouvir as sublimes composições do grupo. "Nana Banana, eu quero te ver...tum tum tum tum...lá lá lá lá...ê ê aê...é demais !" - É a sonorização da imbecilidade.


Mas, estão todos perdoados. Isso é Música Popular Brasileira e no nosso país tudo é permitido. Cada um que tenha dó dos seus tímpanos e neurônios.



sábado, 10 de março de 2007

Eu Odeio o Meio Gay



Onde fica o meio gay ? – Fica no meio de algo ou de alguém ?



Seria o meio gay um meio-ambiente, um ecossistema onde gays e lésbicas proliferam ? – Uma clareira na floresta onde bruxas e duendes dançam e transam ? – Ou seria o meio gay um método, uma maneira, um canal de comunicação ?



Meio gay remete à metade de um homossexual, alguém que se parte em dois ou tem duas caras. Ou, ainda, alguém que tem trejeitos afeminados e nega ser gay. Um cara “meio gay” deve ser aquele que só usa metade do ânus para praticar a homossexualidade passiva. Dar meia-bunda deve ser difícil.



Eu não freqüento o meio gay. Eu freqüento o todo.
Eu não acredito em meios gays. Eu creio em Gays Meios, gente que não se destrava e se desacredita, creditando felicidade a outros meios, como o heterossexual, onde crêem estar a felicidade, amizade e aceitação plena.


Enquanto gays se sentirem “meio”, se refugiarem em “meios”, forem “meios”, nada de inteiro permanecerá porque o mundo não é feito de pedaços.
Sejamos todos tudo. Ser meio é feio.

Por Vlamir Marx

sexta-feira, 9 de março de 2007

OTTO - O Bom, O Novo e o Coração.Dele.


Eu queria poder encostar a cabeça no peito de Otto e escutar o batuque do seu coração. Otto tem não sei o quê lá dentro que o faz vibrar em outra freqüência. Tem de haver algo que explique aquela ternura e fúria, aquela busca ansiosa que há em seu som.

Otto é um pernambucano branco e grandalhão. E é negão, também. E é meio amarelado como papel de carta velha. Atrapalhado com tantas palavras que sabe e quer usar todas para se fazer entender. E é novo e renovante. E parece ter tentáculos eletrificados que saem de sua garganta meio desafinada. Otto é mais Bossa Nova do que Mangue Beat. E parece ter os testículos que pulsam no ritmo errado, dando charme ao que já é bom.

Um artista que corre no circuito off-mídia nunca tem o reconhecimento que merece. Ainda assim , Otto é respeitado não só na alcova dos alternativos, mas por todos que atingiram o nirvana da desconexão musical.

Ouvir a música de Otto é ser jogado de um lado para o outro, ter a percepção misturada à arritmia cardíaca dele. É um som eletro-regional, me atrevo a classificar. Um “regional” descompromissado e que olha para a frente, para o mundo. Tem zabumba, mas não é forró. Tem pandeiro, mas não é samba. Tem sampler e não é techno. É Otto.

Quem me dera entender o mundo deste artista. Ou não. Melhor é me manter calado e esperar pela próxima criação. Otto há de sempre parir o bom, o novo e o coração. Dele.

quinta-feira, 8 de março de 2007

O BUCHO de BUSH


Chegou o grande circo norte-americano para única apresentação !

Senhoras e senhores, ocupem seus lugares que o show já vai começar.


Não. O presidente norte-americano não veio fazer acordos ou assinar tratados. Ele veio impor suas regras à nossa República.

Preocupado com o populismo de Chavez e Morales, Bush busca em Lula apoio para derrotar este movimento que cresce a olhos vistos na América Latina.


Ahh, América Latina ! - Que vizinho chato os americanos do norte foram arranjar. Um bando de pobres desdentados, de pele escura, ignorantes...mas, eles são muitos. Os Estados Unidos precisam estar sempre presentes dizendo o que é certo e errado a estas pessoinhas desafortunadas do continente esquecido que quer se rebelar.


Mais do que dizer a Lula para sair do caminho americano rumo à queda do populismo, Bush também veio dizer que quer nosso etanol, o agro-combustível que nós inventamos, aprimoramos e produzimos em larga escala. Ainda: temos que vender nossa produção prioritariamente aos EUA ou então...só Deus sabe o que pode acontecer.


As reservas de petróleo estão praticamente esgotadas no mundo inteiro, salvo uns poucos pontos e a América sabe que não vai durar para sempre. A solução está no bio-combustível e só quem consegue produzir bio-combustível suficiente para nutrir a América são países onde há sol, água, muita terra...Brasil ! - Claro! - Como não pensamos nisto antes ?? - Óbvio que estão de olho nesse poder brasileiro. Brasileiro, por enquanto !


A visita de Bush não é nada cordial. Ele chega com aquela arrogância típica de um cowboy texano que se acha o rei do mundo. Pior: ele é o rei do mundo. Mas o reino que o interessa é apenas a América do Norte.


Ele precisa encher a pança dos seus súditos. Precisa manter seu reino no controle absoluto e, sem combustível, não dá. Bush vem com fome. Vai devorar qualquer argumento e se lambuzar com a submissão brasileira.


A boca de Bush se abre sobre nós e engolirá tudo o que for do seu interesse: etanol, Evo Morales, Hugo Chavez, do mesmo modo que já engoliu o Afeganistão, o Iraque, Cuba...


Estamos todos dentro do bucho de Bush, todos sendo dizimados pela fome americana de poder. E, para piorar, imagine o que vai acontecer em seguida ? - Seremos cagados...se é que já não o fomos.


Ocupem seus lugares...a coisa vai começar a feder.


por Vlamir Marx


quinta-feira, 1 de março de 2007

O Diabo Veste Prada - Análise Leiga mas de Bom Senso

Ferdinando Martins escreveu para a G Online uma resenha sobre o filme supracitado. Diz ele que é "Uma deliciosa comédia sobre poder, autoridade e glamour"

O filme de David Frankel, onde a grande Meryl Streep vive a megera Miranda Priestly, é um grande engodo.

Começa num ritmo bacana, cria-se uma expectativa, mas a história esfria e desacelera. Não fosse o soberbo talento da diva La Streep, seria uma péssima opção de diversão. É cinema chinfrim, previsível e, pra piorar, ainda quer dar lição de moral.

Não vou nem falar da futilidade do mundo bilionário da moda pra não ser chato. Atenho-me ao que presta: quase nada. É uma comediazinha bem água-com-açúcar e não fosse a excelente qualidade técnica das imagens, a trilha sonora moderninha e (tenho que me repetir) o talento espantoso de La Streep, de nada valeria.

Aliás, Meryl Srteep é tão absurdamente melhor que os demais atores que parece um trovão ecoando na ravina, apesar do seu tom de voz, neste filme, não ultrapassar nunca o permitido a pessoas sofisticadérrimas. É o olhar, os maneirismos da personagem, o gestual, o figurino...o filme é Meryl Streep, ainda que ela seja mera co-adjuvante e uma megera desumana, como convém a qualquer diabo sobre a terra. Meryl faz tão bem o seu papel que chega-se a pensar, ao fim da exibição, que é muito diabo pra pouco Prada.

As aparições relâmpago de gente de peso na indústria da moda (Gisele Bündchen, Karl Lagerfeld e outros) são um "plus" nesta bobagem que é O Diabo Veste Prada.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

100% BRANCO

Dizem que, no Brasil, não há ninguém 100% branco. Então, logo deduzo, que também não há ninguém 100% negro.

Partindo deste presuposto, acho uma agressão as camisetas que vejo sendo exibidas por afro-descendentes onde se pode ler em letras garrafais em seus peitos estufados de orgulho: 100% NEGRO! - Ora bolas. Por que os negros podem ser 100% e os brancos não ?

Imagino que se uma pessoa branca precisasse se auto-afirmar da mesma forma que os negros, usando uma camiseta onde se lesse 100% BRANCO ou ORGULHO DE SER EURO-DESCENDENTE, estaria enquadrado no crime de racismo. Mas, eu me sinto discriminado por ser branco quando cruzo com ativistas (ou não) negros e estes portam aquelas infames camisetas "100% Negro".

É engraçado até. A moda agora são festas "black", onde a cultura negra (em especial a americana) é exaltada e somente música negra rola, só o visual negro é bacana, só os brasileiros 100% negros são bem-vindos. Que piada. E o que seria de nós, brasileiros brancos, se organizassemos festinhas exaltando nossa cor de pele, nossos ascendentes europeus e a beleza de um par de olhos azuis ???? - Certamente, seriamos taxados de nazistas, facistas, racistas e todos os "istas" do mundo.

Não gosto desta separação. E, ao mesmo tempo, me vejo quase que "forçado" a procurar a minha turma. Branco não sabe sambar, branco é azedo, branquelo de merda...são algumas pérolas que já ouvi. Fui educado a não discriminar outros seres humanos, mas, quando sou olhado de lado por olhos que buscam em mim a cor de minha pele e não as virtudes que trago, então, me sinto obrigado a pensar numa frase para uma camiseta. 100% Branco eu não sou, mas eles também não são 100% negros.